Para falar da dinâmica do reino de Deus, Jesus se serve das características da semente, figura presente
nas duas parábolas de hoje. Se a semente plantada encontra as condições de germinação e crescimento,
vai se desenvolvendo por si mesma e acaba se tornando arbusto ou árvore.
Ao interpretar essas parábolas, é recomendável o cuidado para não cair na visão triunfalista ou
sensacionalista de Igreja. Hoje essa tentação é forte, principalmente quando vemos e aplaudimos os
grandes shows religiosos que se multiplicam em todo o Brasil.
pobreza e disponibilidade. As parábolas sugerem a imagem de uma Igreja
pobre, que não anuncia nem busca a si mesma, mas se desapega de toda
riqueza e se liberta de qualquer aliança ou compromisso com as
“potências modernas”: dinheiro, mídia, política, poder...
O reino de Deus não se mede pelo número de batismos, crismas ou
casamentos religiosos nem pelo número ou tamanho de nossas igrejas;
tampouco pela imponência de nossas assembleias litúrgicas. Não
esqueçamos que o reino é impulsionado pela força do Espírito de Deus. Não
nos é lícito, com nossa pretensão de grandeza, sufocá-lo. Ele cresce à
medida que o Espírito Santo não encontra obstáculos.
A exemplo da semente, somos lançados à vida por Deus e um dia, ao fim de
nossa peregrinação terrestre, seremos por ele colhidos. Antes disso,
porém, devemos amadurecer e produzir os frutos que Deus e a
comunidade esperam de nós. Nesse tempo de fertilidade, não é preciso
produzir ações estrondosas. Os pequenos gestos do dia a dia
favorecem o crescimento do reino e todos podem se beneficiar disso. Ao
crescer na fé, na esperança e na caridade, tornamo-nos árvore capaz de
abrigar quem necessita e alimentar aqueles que buscam a fraternidade e a
justiça.
Pe. Nilo Luza, ssp
texto retirado do O Domingo editora Paulus 17 de junho: 11º domingo T.C
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