segunda-feira, 2 de julho de 2012

A DINÂMICA DO REINO

Para falar da dinâmica do reino de Deus, Jesus se serve das características da semente, figura presente
 nas duas parábolas de hoje. Se a semente plantada encontra as condições de germinação e crescimento,
 vai se desenvolvendo por si mesma e acaba se tornando arbusto ou árvore.
Ao interpretar essas parábolas, é recomendável o cuidado para não cair na visão triunfalista ou 
sensacionalista de Igreja. Hoje essa tentação é forte, principalmente quando vemos e aplaudimos os 
grandes shows religiosos que se multiplicam em todo o Brasil.
Não é no espetacular que a Igreja mostra sua força, mas em sua
 pobreza e disponibilidade. As parábolas sugerem a imagem de uma Igreja
 pobre, que não anuncia nem busca a si mesma, mas se desapega de toda
 riqueza e se liberta de qualquer aliança ou compromisso com as 
“potências modernas”: dinheiro, mídia, política, poder... 
O reino de Deus não se mede pelo número de batismos, crismas ou
 casamentos religiosos nem pelo número ou tamanho de nossas igrejas;
 tampouco pela imponência de nossas assembleias litúrgicas. Não
 esqueçamos que o reino é impulsionado pela força do Espírito de Deus. Não
 nos é lícito, com nossa pretensão de grandeza, sufocá-lo. Ele cresce à
 medida que o Espírito Santo não encontra obstáculos. 
A exemplo da semente, somos lançados à vida por Deus e um dia, ao fim de
 nossa peregrinação terrestre, seremos por ele colhidos. Antes disso,
 porém, devemos amadurecer e produzir os frutos que Deus e a 
comunidade esperam de nós. Nesse tempo de fertilidade, não é preciso
 produzir ações estrondosas. Os pequenos gestos do dia a dia
 favorecem o crescimento do reino e todos podem se beneficiar disso. Ao 
crescer na fé, na esperança e na caridade, tornamo-nos árvore capaz de
 abrigar quem necessita e alimentar aqueles que buscam a fraternidade e a
 justiça.
 
Pe. Nilo Luza, ssp
 texto retirado  do  O Domingo editora Paulus  17 de junho: 11º domingo T.C

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